a dar-lhe voltas á cabeça outra vez, nem Alexandre tinha acabado
de sair da sala para se ir deitar, já Inês estava perdida em pensamentos
pervertidos com Afonso, o qual sabia que a ia provocar no dia seguinte, já
estava a imaginar mil frases de provocação, aquela voz meio rouca que lhe dizia
o que ela mais sombriamente queria ouvir de um homem, só pelo puro prazer de se
sentir desejada, de sentir que tinha o fruto proibido mesmo á sua frente e
poderia a qualquer momento, quando quisesse, provar. Não se dava muito ao
trabalho de pensar em Alexandre quando isso acontecia, os pensamentos de culpa
vinham sempre quando estava sozinha. Sabia o quanto amava Alexandre, mas sabia
o quanto Afonso provocava nela aquela química, aquela tensão sexual que tanto
desejava sempre encontrar em alguém, e não era assim tão difícil, Inês estava
só a começar a descobrir o seu lado mais sombrio, perverso, escondido do mundo,
o qual nunca quis libertar, os instintos mais básicos que o humano tem e
consegue tão bem esconder quando a sociedade assim o exige. A monogamia é o
correto e Inês sentia que não tinha como o contrariar. Amar um homem incondicionalmente
e amar outro na cama? Parecia tão correto e tão errado. No fundo, a sensação de
pecado, de mau caminho, de desviar-se das suas próprias crenças e valores
estava a dar-lhe mais gozo do que admitia. Deitou-se, ao lado do homem que nada
sabe. E sonhou com o homem que sabe tão bem.
Diana Machado
Diana Machado

