segunda-feira, 11 de agosto de 2014

E lá estava ele

a dar-lhe voltas á cabeça outra vez, nem Alexandre tinha acabado de sair da sala para se ir deitar, já Inês estava perdida em pensamentos pervertidos com Afonso, o qual sabia que a ia provocar no dia seguinte, já estava a imaginar mil frases de provocação, aquela voz meio rouca que lhe dizia o que ela mais sombriamente queria ouvir de um homem, só pelo puro prazer de se sentir desejada, de sentir que tinha o fruto proibido mesmo á sua frente e poderia a qualquer momento, quando quisesse, provar. Não se dava muito ao trabalho de pensar em Alexandre quando isso acontecia, os pensamentos de culpa vinham sempre quando estava sozinha. Sabia o quanto amava Alexandre, mas sabia o quanto Afonso provocava nela aquela química, aquela tensão sexual que tanto desejava sempre encontrar em alguém, e não era assim tão difícil, Inês estava só a começar a descobrir o seu lado mais sombrio, perverso, escondido do mundo, o qual nunca quis libertar, os instintos mais básicos que o humano tem e consegue tão bem esconder quando a sociedade assim o exige. A monogamia é o correto e Inês sentia que não tinha como o contrariar. Amar um homem incondicionalmente e amar outro na cama? Parecia tão correto e tão errado. No fundo, a sensação de pecado, de mau caminho, de desviar-se das suas próprias crenças e valores estava a dar-lhe mais gozo do que admitia. Deitou-se, ao lado do homem que nada sabe. E sonhou com o homem que sabe tão bem.

                                                                                                                               Diana Machado


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Preparou-me o jantar,

acendeu as velas, e nesta imensidão de casa, desnecessariamente grande e com demasiados quartos e salas e uma perdição de corredores e riquezas, acabamos por ter o nosso primeiro jantar. Não quero tanta riqueza, tanta desnecessária demonstração de poder, sou uma mulher do campo, quero uma boa refeição e uma boa conversa, partilha, sinceridade, simplicidade sobretudo. Digo não ás formalidades, não a uma distância enorme que nos separa neste momento devido ao comprimento da mesa e à quantidade de comida, disposta ridiculamente quase por cores ou alfabeticamente. Acho que este vai fora da minha lista de pretendentes. Pff, adios.
       
                                                                                                                                 Diana Machado