sábado, 11 de julho de 2015

#15 Inês habituou-se a viver sozinha,

sabia que mesmo com os papéis do divórcio assinados e prontos a seguirem caminho podia contar com o ex marido, não deixariam de ser amigos, até porque já eram mais amigos do que amantes, do que marido e mulher, viviam apenas um casamento sem esse tipo de amor. O bonzão do trabalho tem ajudado, como sempre mas tem estado ainda mais presente na sua vida, jantaram fora algumas vezes e no fim ainda passavam em casa de Inês para conversar mais na companhia de um copo de vinho e da vista agradável do terraço. Conseguia sentir aquele misto de tensão sexual e interesse mais profundo, e isso tem conseguido fazer com que se distraia da mudança brusca que passou, de um casamento para estar sozinha, cozinhar só para ela, lavar só a roupa dela, fumar sozinha à janela, e o pior de tudo, ir dormir e acordar sozinha. São as rotinas às quais nos prendemos mais durante um casamento, e são essas mesmo que têm sido difíceis de ultrapassar, mas o bonzão tem ajudado, tem-me entusiasmado, achava que agora iria demorar para conseguir interessar-me por alguém mas enganei-me - pensava Inês enquanto lavava a loiça do jantar - pode ser que deixe que entre na minha vida, pode ser agora que saiba o que é estar apaixonada, não vou meditar muito sobre o assunto, começo já a complicar. 
Ouve a campainha tocar e quando abre a porta dá de caras com o bonzão do trabalho, que tem consigo um ramo de flores e num ápice, sem dar tempo para pensar, envolve Inês nos braços e começa delicadamente a beijá-la, enquanto fecha a porta atrás de si e começa a encaminhar ambos para a cozinha, já pousou as flores algures pelo caminho e ao pegar Inês ao colo pousa-a no balcão enquanto começa de maneira mais rude a passar-lhe as mãos pelas coxas por baixo do vestido - deixa cair um prato e acorda do sonho, merda, pensa Inês quando se vê sozinha na cozinha a sonhar alto, começa a apanhar os pedaços do prato que deixou cair e começa a ponderar se o deve convidar para vir beber um copo ou se vai ser prudente o suficiente para deixar que seja ele a convidar.


2 comentários :

  1. Adorei, escreves muito bem. Prendeu-me

    http://oshomensnaosaotodosiguais.blogspot.pt/

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  2. Às vezes não há nada como arriscar ;)

    Adorei este texto!

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