quarta-feira, 22 de abril de 2015

#14 Inês senta-se em frente dele,

diz, que se passa? E ouviu. Ouviu até ao fim sem uma única lágrima. O casamento estava acabado, sabia que sim, ele não estaria a dizer aquilo se fosse para voltar atrás, não era, acabou. Finito. Segurou as lágrimas até onde pode, e soltou tudo, rebentou e chorou. Veio-lhe tudo à cabeça, a tensão sexual pelo bonzão do trabalho, as discussões, a frustração de não receber toda a atenção que queria mesmo quando não dava de volta, tudo o que tinha feito de errado. Tudo o que não tinha valorizado naquele casamento. E tudo o que passaram de bom. A cumplicidade, a estabilidade emocional, as brincadeiras, os afectos, o silêncio partilhado e tão bem entendido, a amizade, o sexo...tão bom sexo. Tudo lhe passou pela cabeça mas não ripostou, não tentou mudar a situação, não disse nada de volta, aceitou. Aceitou tão prontamente que parte de si achou que já esperava aquilo, que iria acabar por acontecer. E agora?

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