terça-feira, 20 de janeiro de 2015

#11 Inês fecha a porta atrás de si,

atira com o casaco para cima do sofá, caminha para perto da janela e empoleira-se no parapeito ao mesmo tempo que tira um cigarro do maço e o acende. Não poderia estar mais calma, o trabalho corre bem, apesar de uns stresszitos normais e as coisas com o marido parecem ter estabilizado, já nem pensa no bonzão do seu colega e da vontade que tinha em lhe saltar para cima. Tem estado mais tranquila, mas mais tranquila não significa mais certa da continuação duradoura da sua relação, mas também...se todos tivéssemos certezas de com quem vamos ficar...! Deixa-se ir, deixa-se ir enquanto lhe resta a felicidade, não tem mais aquela montanha russa de sentimentos, as borboletas na barriga, os ciúmes por outras mulheres, a emoção de o ir ver...vê-o todos os dias isso também não ajuda a que tenha todo esse turbilhão de pensamentos, já criaram rotina, quer o quê? Será que não é isso o amor dos dias de hoje? A rotina, o sentimento de estabilidade, a felicidade sempre no mesmo patamar. Apaga o cigarro devagar no cinzeiro e ouve-o abrir a porta. Sabe nesse momento que aquele homem não a irá deixar, isso tranquiliza-a, é como se de uma companhia garantida se tratasse, deixa-te de vidas loucas, ama o homem que tanto te dá, acaba com as paixões desmesuradas por terceiros, diz para si mesma, e sorri para ele.

                                                                                                                                          Diana M.

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