quinta-feira, 27 de novembro de 2014

#9 Gostava

de levar a cabo mais do que uma personagem e perder-me nas duas, perder-me na minha própria identidade, para quê só ter uma? Dizia Inês. Precisou de espaço, pediu que o marido saísse de casa, não podia mais com discussões atrás de discussões, não podia mais com a tentação de desistir de um casamento sem dar luta, vamos tentar, mas por enquanto vamos acalmar, vamos provocar esta distância, para cada um respirar e pensar à sua vontade. Quebrou este pensamento e continuo a falar com o colega de trabalho, aquele gato, custava resistir à tentação, mas desde há uns meses para cá ficaram mais próximos, falam mais, vão juntos beber cafés, o que resulta a chegar a casa de fininho bem tarde, com o marido feito cão de guarda adormecido no sofá enquanto a espera. Não sente que tem qualquer peso na consciência por ele ir lá jantar a casa, tem mais amigos, apesar deste ter ali o toque especial, o carinho que lhe falta, a atenção que o marido por vezes não lhe presta. Mas não se desiste de um casamento de um dia para o outro, de um folha de histórias não se passa para papel rasgado. A indecência que se passa na cabeça dela deixa-a atordoada, mas o seu casamento ainda tem pernas para andar, a luta não acabou por aqui, não deita tudo a perder por umas noites selvagens. Mas por outro lado, já não sabe bem o que é perde.

                                                                                                                                           DianaM




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