terça-feira, 2 de setembro de 2014

#5 Chovia torrencialmente,

ouvia as gotas a baterem fortemente no chão seguidas umas às outras de forma repentina e bruta enquanto esperava que o autocarro chegasse, a noite ainda agora tinha começado e a escuridão já tomava conta das ruas. Já pouca gente se aventurava a passar a correr com o chapéu de chuva na mão, que de pouco valia com a ventania que fazia.

Inês estava cansada de esperar, merda para o carro ter avariado, tenho um homem em casa para não me conseguir vir buscar, pensava irritada, já ia rabugenta para casa não lhe ia falar bem, estava mesmo a ver. Até que apareceu uma memória longínqua, que lhe pareceu agora como sempre que a via, tão perto, tão fácil de reviver. Sentou-se ao lado dela na paragem, de início não percebeu que era ela, ficou surpreso, em choque talvez, também não queria voltar a recordar tudo. Disse um olá com pouca vontade, iniciavam sempre conversas com indiretas a situações passadas, e isso fez com que tivessem deixado de falar. Sentia falta, muita falta de tudo o que ele lhe trazia de bom, as conversas, os desabafos, o que ele compreendia dela e até o que não compreendia. Mas agora, eram memórias, e não iriam voltar a falar, ela sabia e ele também, deixaram-se estar sem conversa, só deixando o tempo passar. Como o passar de tantos anos os deixaram mais velhos, mais orgulhosos talvez, mais arrependidos, tão arrependidos de terem rompido de vez com o que tinham. Por fim disse "podia ter sido diferente" e Inês automaticamente responde "mas não foi".

                                                                                                       Diana Machado


6 comentários :

  1. :o que lindo e triste :'(
    r: ora nem mais :D

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  2. desde já obrigada pelas palavras :)
    o que me prende à minha cidade é o meu namorado, a verdade é que já namoramos à 3 anos e já não é nenhum namorisco nem nada parecido. ele vai ficar na minha cidade e o facto de poder ir para Coimbra, assusta-me um pouco pelo facto de eu ter a noção de que preciso dele por perto, de que me vai custar muito de certeza....sei perfeitamente que se fosse solteira, nem pensava duas vezes e ia para Coimbra com a maior alegria do mundo, mas com ele...podendo ficar juntos, prefiro ficar na minha cidade. sempre fui rapariga que dizia que nunca ia meter um homem à frente da minha carreira, mas a verdade é que eu só consigo andar estável e realmente bem com ele, já faz parte do meu eu. podes não acreditar, mas acho que no fundo desejo não receber nenhum mail a dizer q entrei para Coimbra... assim já sei onde fico!

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  3. Tu escreves muito bem. Parece que conseguimos viver a história na primeira pessoa. :)))

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  4. Não vale apena pensar no que poderia ter sido...

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  5. Se nos prendêssemos a todos os "e se's" da vida, não teríamos tempo para viver. É mesmo essa a linha de pensamento: "poderia ter sido" "mas não foi".

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